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uma noite com os OneRepublic em Paris

por sacha hart, em 22.12.16

OneRepublic HP Lounge

Belisquem-me pois ainda não acredito que isto aconteceu.

 

Participei num passatempo sem jamais acreditar que dias depois fosse receber um email a dizer que já quatro dias depois estaria em Paris para ver uma das minhas bandas preferidas actuar. Só podia ser um sonho pois coisas assim só acontecem nos filmes! pensei eu, incrédula e internamente histérica. Mas eis que a 16 de Dezembro lá estava eu novamente na cidade onde em tempos deixei um pedaço do meu coração e com planos de passar a minha noite a cantar e chorar pelos OneRepublic. 

Afinal o sonho era real e, melhor que sonhado, apenas vivido. E, oh, que sonho este! Um concerto privado, intimo e acústico, no histórico Le Trianon. Uma pequena arena mesmo na base de Montmartre. Um sítio mágico para uma noite que prometia ser mágica. E foi.

 

Foto de HP.

Foto de HP.

 

Em 2014 vi os OneRepublic em Lisboa, juntamente com a Twi, e foi um concerto maravilhoso. Passados dois anos vê-los novamente, especialmente nesta cidade, transcendia toda e qualquer imaginação louca que eu tivesse. Ainda agora estou com dificuldade em compreender que é real. 

Os OneRepublic são uma das minhas bandas preferidas e lançaram recentemente um novo álbum, "Oh My My", que já era a minha soundtrack para aguentar as últimas semanas do semestre. Contudo, e porque era um concerto diferente do habitual, a banda optou para uma número reduzido de canções. Apenas 9. Não consegui ficar triste por ter um concerto de apenas uma hora, pois em nove canções os OneRepublic conseguiram dar-me uma das melhores noites da minha vida.

 

 

A minha faixa favorita do novo álbum, "Let's Hurt Tonight", marcou presença assim como "Wherever I Go" e "Kids".  Contudo, fizeram questão de recordar músicas antigas que toda a gente no Le Trianon queria cantar e directamente a partir do coração. "Apolagize", "Stop and Stare", "All the Right Moves" e "Good Life", isto tendo aberto o concerto com "Love Runs Out". Pelo meio ficaram os covers de "Let It Go" e "Let Me Love You". Para não esquecer, a "Silent Night" que o engraçado do Ryan Tedder decidiu tocar com a melodia de "Apolagize".

Fiquei arrepiada. Completamente inebriada pelo som do violoncelo, da guitarra e do piano. Vidrada na voz do Ryan Tedder que durante o concerto todo mostrou porquê que é um dos melhores artistas que existe. Não só é responsável por escrever canções cujas extraordinárias letras estão gravadas no meu coração, como ainda arrebata qualquer um a cantar ao vivo de uma forma tão genuína e emocionante. Deixou-me num rodopio de emoções, entre muitos sorrisos e algumas lágrimas - tudo pura felicidade. Mesmo ali, ainda não parecia real, mas sim um sonho fantástico do qual não queria acordar. 

Para o fim, a banda reservou-nos "Counting Stars". Já era esperado que o Le Trianon fosse abaixo quando esta música tocasse, mas nada nos preparou para o que o Ryan Tedder decidiu fazer: lançou-se para o público e veio cantar para o meio da plateia. Sabem quem lá estava? Eu. A centímetros do Ryan Tedder enquanto ele cantava a música de despedida para um público ao rubro que cantava com ele, rodeando-o e abraçando-o, tirando selfies com ele. É tão surreal ter voltado a tocar no Ryan Tedder, estar tão perto dele como nunca estive e provavelmente nunca voltarei a estar. He's a living legend

 

Não consegui transpor-vos em palavras o quão inesquecível esta noite foi. A sorte que tive em ganhar o passatempo da HP Lounge e da Universal Music Portugal é algo que nunca esperei mas que só veio mostrar que às vezes, quando menos estamos à espera, coisas boas acontecem. E este concerto foi, certamente, uma das melhores noites da minha vida. 

nevermind crazy Sacha Hart

me on the right

 

 

As fotografias pertencem à HP.

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publicado às 20:10

Kit Viagem

por sacha hart, em 23.06.16

Amanhã espera-me uma comprida viagem de carro desde Lisboa até Viana do Castelo, mais propriamente Arcos de Valdevez. A ideia é, pela primeira vez, assistir à típica festa de aldeia onde o meu avô nasceu. Festa essa que se trata somente de uma celebração religiosa, com direito a procissão e missa mas bailarico nem vê-lo. Segundo a minha mãe, é uma maneira de conhecer melhor as minhas origens e não esquecer que parte de mim veio do mundo rural e das tradições que os meus avós maternos respeitavam.

Até aqui tudo bem. O problema? Significará passar quatro dias isolada numa aldeia de apenas quatro habitantes perdida algures numa das imensas serras do concelho. Sem internet nem televisão, quase parecendo um detox, tive imediatamente de conjurar um Kit Viagem que me mantenha sã durante estes dias. E aqui está ele:

 

Kit Viagem

1.Caderno e caneta

A inspiração está onde menos se espera. Há sempre a possibilidade de o silêncio das montanhas terem esse efeito em mim e vale sempre a pena estar preparada. Na verdade, adoraria ficar simplesmente num sítio tranquilo com a vista espantosa das montanhas, a brisa e um pouco de música para deixar a escrita fluír. 

 

2.Mp3 e phones

Para estar isolada do mundo, mais vale estar isolada com os phones e as minhas músicas favoritas. São a companhia perfeita para o caderno e caneta. Além disso, já estive a reprogramar a playlist do meu mp3 para levar as músicas mais adequadas ao cenário. Digam-me lá que I See Fire não é uma boa escolha?

 

3. Tablet

Porque nunca se sabe quando vai ser preciso. Levo-o pelos quizzes ( a sério, todas as apps de jogo que tenho são quizzes).

 

4.Livros

Isto claro que não podia faltar! Vou passar lá apenas três noites mas levo dois livros comigo na mala e conto andar com eles para todo o lado. A escolhas de viagem recaíram em Tudo o que ficou para trás de Nora Roberts e Uma Sombra em Florença de Sylvain Reynard, as minhas duas aquisições da Feira do Livro. 

 

Acho que a minha sanidade vai sobreviver. Espero gostar mais desta escapadinha ao Norte mais do que quero admitir. Quando voltar conto tudo! Até lá, hasta la vista baby

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publicado às 20:06

Encantada.

por sacha hart, em 28.09.15

 

     - Os livros são a melhor companhia, não é verdade?

     Diz o senhor já de alguma idade que ia ao meu lado no autocarro, depois de alguns minutos ali. Eu, focada no meu livro durante a viagem, não tinha ainda olhado para ele. Até ali só sentira o calor do seu farto casaco preto e visto as mãos enrugadas pelo canto do olho. Então, quando ele decide falar comigo olho para ele pela primeira vez. Vejo um senhor que já vai muito além dos sessentas. Tem um sorriso afável e simpático e olha-me com curiosidade e simpatia. Demorei uns segundos a perceber que ele se tinha dirigido a mim em castelhano, e então, embaraçada, tirei os phones e lembrei-me novamente do que ele me dissera.

     - Verdade, sem dúvida! - Respondo também em castelhano, apesar de ter sido apanhada de surpresa. - Não há nada melhor do que os livros.

     - Ah, habla castellano? -  Pelos vistos não sou a única apanhada de surpresa.

     Digo-lhe que sim. Que sei um bocadinho porque aprendi na escola. Até lhe digo que escolhi aquele livro que me vira ler por ser uma adaptação de um filme espanhol. Voltamos a comentar que ler é  excelente até que a conversa de autocarro cessa para que eu prossiga com a minha leitura. Não demora muito até que o senhor volte a mexer-se no seu lugar. Percebo que a paragem dele é a próxima. Olha para mim e eu olho para ele com um sorriso, como quem diz adeus sem esperar palavras.

     - Buenas tardes. Encantado de conocerla. - Acaba ele por dizer com um sorriso de idoso mas que enche corações. 

     Por segundos eu não disse nada, até porque estava a tentar encontrar as palavras para uma despedida em castelhano, mas a memória falhou-me. Atabalhoadamente e com um sorriso do género "desculpa a minha falta de jeitinho", também lhe digo - Encantada también. Buenas tardes!

      Era a deixa final. Ou assim parecia. Já depois de se ter levantado e encaminhado para a porta de saída do autocarro (que estava mesmo à nossa frente), o homem que fala castelhano voltou a virar-se para mim e perguntou-me se conhecia Madrid. - No, pero tengo muchas ganas de ir - Respondo com a maior honestidade do mundo. Digo-lhe que já fui a Barcelona. 

     - Barcelona é melhor para ver de noite.

     Mas eu também gostei de a ver durante o dia, digo-lhe. 

     - Madrid é lindissima

     Acredito nele. Não tenho a menor dúvida. As minhas últimas palavras são para lhe dizer que espero ir lá para o ano que vem, que até já tenho dinheiro amealhado para isso. Ele volta-me a dizer que Madrid é um encanto e que deveria lá ir.

     São as últimas palavras que me dirige, mas o sorriso continuou até o autocarro parar e ele ter de sair. Fico a olhar para ele enquanto posso. Um senhor não muito alto, com um casacão compridissimo para um dia de calor. Um senhor que parecia saído dos filmes, um senhor encantador. Um senhor que, por acaso do destino, se sentou ao lado de uma rapariga que gosta de ler, de falar castelhano e de sorrir.

     Destino, sem dúvida.

      E fez o meu dia.

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publicado às 15:09



Lisboeta de 19 anos a aventurar-se em Erasmus. Blogger, leitora e pseudo-escritora nos tempos livres. Entusiasta e sonhadora.


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